sexta-feira, 2 de julho de 2010

Chegada em Reggio Emília - Itália

A crônica da chegada

Depois de mais de 7 horas de atraso do voo em Salvador, resolvi exercitar a paciência e fazer algumas comprinhas para passar o tempo. Os amigos internacionais lucraram com a espera irritante... mas já que não tinha outro jeito tentei tirar proveito da situação, e confesso comprei umas besterinhas para mim também, sai de casa com uma roupa, cheguei aqui com outra.
Refeita... comecei a observar atentamente tudo a minha volta, para primeiro registrar na memória e depois traduzir em palavras. Vi de tudo que se pode imaginar, desde uma família com 5 pessoas, pai, mãe e filhos, passarem mal, um de cada vez, como se fosse efeito dominó, até ter na minha frente a esposa de um integrante da empresa que dou consultoria em Angola. O mundo está mesmo, cada vez menor, romperam-se as fronteiras. Em meio a tantos movimentos, dormi um pouco para recarregar as baterias, foi importante, pois muita ainda estava por vir.
Em meio ao entra e sai de aviões, chegamos em Lisboa e na hora de partir para Milão a notícia mais esperada, Brasil 1 x 0 com a Holanda, muitas vibrações e expectativa com o que viria pela frente. Nesta hora me conectei com as companheiras de Luanda e minha família espalhada pelo Brasil, imaginei o que estariamos fazendo se estivesse com eles e me tranferi para os dois lugares... prometi chegar em terra firme e ligar para celebrar. A saudade aumentou!
 No meio desta tensão com o jogo, senta ao meu lado uma canadense, louca para conversar, exercitei meu inglês bem mais do que poderia imaginar, apesar de muitas vezes não compreender a metade do que ela me dizia, mas mesmo assim ela falava sem parar. De qualquer maneira o que escutei, registrei com muitas risadas disfaçadas, juro que ela me contou que estava indo a Milão, pois depois que leu o livro "Comer, Rezar e Amar", resolveu fazer o mesmo que a americana Elizabeth Gilbert, deixar tudo para trás e viver uma nova aventura. De imadiato veio a minha cabeça a afirmativa de que "nada acontece por acaso"... o que ela sentada ao meu lado queria me dizer? Que mensagem deveria ler? Só sei que me diverti mais do que poderia imaginar... Adoraria saber o fim da aventura dela...
Só foi uma pena porque não li, como gostaria o livro que comprei para esta viagem "Istambul" de Orhan Pamuk, Prêmio Nobel da Literatura, que com o seu estílo, prende a nossa atenção e nos convoca a reflexão, do porque da melancolia do povo turco na atualidade e a relação desta marca com a história de uma nação. Isso só aguçou ainda mais o meu desejo de conhecer de perto, todas as descobertas que tenho feito sobre este país surpreendente.
Chegando a Milão a notícia que ninguém queria receber, ainda mais fora de casa. A Holanda venceu de virada e é hora do Brasil voltar para casa. Pensei outra vez, na família e nas amigas queridas. Coração sofrido... Decidi que não tinha o que falar, então não era hora de ligar.
O caminho pela frente ainda era longo, tive que me recompor em segundos e tratei de pegar o ônibus para a Estacione Centrale, desde aí comecei a tentar entender porque prometo viajar sempre com o mínimo de bagagem possível e, lá estava eu, me arrastando com 2 malas e 2 bagagens de mão. Que sofrimento, além do mais, o calor do verão da Europa, aquele que castiga... sol quente e eu imaginando que pelo menos estava com um bom horário, quando dei por mim, já eram 21 horas, corri e só consegui bilhete para as 22 horas. Que sufoco, ainda mais em 2ª classe... atropelando-me com tanta bagagem alcancei aliviar a tensão com um belíssimo gelatto, mas o calor voltou mais forte quando me deparei com uma nova cena, estava em uma cabine de trem com 5 homens e só eu de mulher... para completar a luz do trem faltou umas 5 vezes e eu sem entender porque não decidi dormir em Milão, já que estava tão tarde. Do inglês para o italiano foi ilário, raras são as palavras que sei usar, mas tinha que descobrir a estação para descer com todo aquele aparato sem perder a hora... enfim, cheguei em Reggio meia noite e na linha de que nada é casual, tudo é causal, este é o horário dos contos de fada... cheguei em paz e espero que assim continue... aguardem portanto, cenas dos próximos capítulos.

3 comentários:

Eduardo disse...

Liloca! Que aventura mesmo!!! Não precisa tanto... Sei que a admiração por Celso Dourado é grande, mas não precisa também seguir tanto as suas histórias, afinal as aventuras daquela época não eram tão arriscadas como as de hoje... Enquanto lia o seu relato ficava imaginando as cenas e ao mesmo tempo pensando "esta minha irmã é mesmo muito corajosa"! Não é por caso que você vai tão longe e tem esta bagagem cultural tão grande! Se cuida! Te amamos!!!
P.S: A derrota do Brasil foi mesmo muito dolorida, com direito a muita indignação e até choros... Bjo! JU

Marilia Dourado disse...

Oi mana,
É cada aventura!
O bom é que está tudo bem e ainda tenho muita história para contar!
bjs em todos.

Soraya disse...

Amiga,
Vc é mesmo incrível...sempre nos enchendo de histórias maravilhosas, surprendentes...
Fique sempre com Deus.
Abraços
Soraya