À medida em que vou vivendo e vendo mais com os olhos do dia a dia, vou conhecendo aquilo que está além do aparente, do visível, do surpreendente. Só não sei se já é hora, ou se sou capaz de fazer um balanço coerente, mas algumas questões me chamam a atenção, dentre elas, a ação e reação de brasileiros que vivem como estrangeiros, em terra que parecem familiares... Quem são? Por que vivem aqui? O que buscam? Até onde vão? Para onde vão? E eu, onde me situo, neste contexto? A complexidade do mundo atual e dos homens e mulheres que vivem nele, não nos permitem chegar a conclusões simples, mas é possível perceber que há uma pressão que se acumula dia após dia.
Já sei que é uma experiência enriquecedora do ponto de vista humano (ponto!). Conhecer como é a vida deste outro lado do oceano, tem me ajudado a pôr em perspectiva muito do que antes dei como adquirido, conquistado. A todo momento é preciso exercitar o olhar relativo!!! São muitos os brasileiros que vivem aqui há muito tempo... suas lógicas são bem diferentes da minha! Por outro lado... O que dizer daqueles que aqui nasceram e sempre viveram?
Vivo questionando a todos que tenho acesso, que chegam junto... Mesmo assim, ainda não consigo imaginar como é um dia que seja de um angolano, muito menos uma vida inteira. As minhas necessidades são muito diferentes. Pequenas coisas para mim, são enormes para quase todas as pessoas com quem me cruzo pelas ruas. A falta de água e de luz são chateações, mas não posso me queixar porque não tenho água na torneira ou porque a luz desliga e liga em seguida, com um gerador! Tantos nunca tiveram àgua, nem luz em casa!!!!
"Oh! Mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
Ô Ô Ô Ô Ô Ô Ô!
Oh! De um lado esse carnaval
De outro a fome total
Ô Ô Ô Ô Ô Ô Ô!..".